Mercedes E350 CDI Station

Aqui fica uma review a uma E350 CDI, versão de 231cv com caixa 7G que andou uns dias comigo.

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A estética é um ponto forte desta carrinha, especialmente devido ao pack AMG. O design exterior está muito bem conseguido, e sempre me agradou muito. As jantes 18” casam muito bem com os quase 5m de comprimento e o restante kit estético exterior, mas as medidas dos pneus (especialmente os traseiros 265/35/18) deixam um “amargo de boca” ao saber o preço de cada um… que ronda os 250€…

Os farolins em led são uma imagem de marca desta carrinha, que a permitem identificar facilmente á noite no meio dos outros carros. Gostei também do facto dos faróis de curva estarem integrados nos faróis principais, completamente “invisíveis”.

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Do interior destaco o volante com um design e uma pega muito interessantes. Os bancos não são especialmente bonitos à vista, mas misturam bons apoios com muito conforto. Pena (os desta carrinha) não serem multicontorno, pois a regulação lombar é muito limitada.

O tablier não enche o olho como o seu antecessor, e embora alguns materiais não convençam muito… a montagem é boa e acabam por não comprometer numa utilização real.
Esta carrinha tinha poucos extras, pois o importador já coloca a maioria dos itens mais interessantes de série (sensor de chuva, luz, bi-xénon, etc). Tirando o pack AMG, não existem aqui outros extras (pagos à parte) relevantes.

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Mas vamos ao que interessa, à estrada!

O motor é ruidoso a frio e embora ao ralenti não seja muito intrusivo, assim que se inicia a marcha, o cantar forte entre as 1500-2000RPM (zona de binário máximo onde os injectores se ouvem em demasia, a meu ver…) traz-me à memória o meu saudoso 270CDI, pois o “grunhir” nesta faixa de rotação é praticamente o mesmo. Embora seja um barulho “agradável”, dentro do espírito diesel claro (!) não se justifica num carro recente, e que custava até há poucos meses (já existe o novo motor de 265cv) mais de 80.000€.

Mesmo a quente, tirando o ruído do ralenti que fica mesmo muito reduzido, o barulho na mesma faixa de rotação (citada acima) continua a ser excessivo. Em estrada não se nota, mas em cidade o motor gosta de mostrar que existe!

Em andamentos calmos ou rápidos, a caixa (7Gtronic) cumpre na maioria das situações e especialmente com muita suavidade. Só em alguns kick-downs revelou alguma hesitação, ou então um deslizamento excessivo do conversor de binário nos primeiros segundos, mas se nos anteciparmos com uma redução feita na patilha do volante lá conseguimos ter a saída que se espera deste motor. A rapidez das patilhas pode comprometer uma ou outra reprise.

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Outra situação que verifiquei por mais do que uma vez, foram os arranques (calmos) de cidade nos quais parecia que o auto-hold se ligava sem motivos para tal, o que acabava por dar uma hesitação inesperada de cerca de 1 segundo no arranque. Nestas e outras situações senti uma vibração no momento do arranque, provavelmente vinda do volante do motor. Não sei se seria feito ou defeito, mas estava lá, especialmente a quente.

A suspensão AMG em conjunto com as jantes 18” (com os pneus 245 à frente e 265 atrás) fazem desta “banheira” um carro interessante em termos dinâmicos, mas em AE, especialmente em curva, e quando o piso não é o mais perfeito, os movimentos da carroçaria tornam-se excessivos para este setup, o que para uma Elegance até acharia norma, aqui acho estranho. Em andamentos rápidos em estradas nacionais contorcidas, o comportamento é BOM embora o ESP dê muitas vezes o ar da sua graça, senti pelo menos 2 vezes faltas de tracção um pouco fora de tempo, sendo que uma delas senti uma chicotada valente na traseira, e nem o ESP fez o seu serviço (pelo menos não vi qq luz acesa no quadrante). Felizmente ela tinha motor mais que suficiente para sair daquela situação!

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A grande dúvida que tinha era o conforto, e fiquei satisfeito! Basicamente está no limiar do aceitável para um carro familiar, e só notei 2 ou 3 situações de rasgos na estrada (mal remendados) onde o “bater” foi excessivo, de resto fiquei muito agradado com o equilíbrio deste conjunto, esperava que fosse mais desconfortável, especialmente em zonas com piso remendado/irregular.

Mesmo assim, como o tempo não dá para tudo, não foi possível fazer mais 1 ou 2 estradas que gostaria, e que mostrariam ainda melhor o trabalho que esta suspensão consegue fazer em piso muito degradado … e provavelmente este teste até iria baixar um pouco a minha avaliação, mas no final acredito que a nota geral seria sempre positiva.

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Mas obviamente, para o típico cliente Mercedes, falamos de uma suspensão dura.

Falando de performances puras, em aceleração pura não notei diferenças a olhómetro (superiores ou inferiores) em comparação com o meu 3.0TDI (montado no A6 sedan), mas em algumas reprises, especialmente feitas a velocidades acima dos 100/120km/h, é de facto mais mais rápida.

Nos consumos, embora não esperasse um “milagre” esperava que fossem mais contidos… mas vi que estão nivelados com os que o A6 faz, e aqui muito honestamente, esperava melhor.

E no final a nota mais negativa de todas, e que mais me desiludiu… a insonorização. O ruído de rolamento, embora criticável, ainda compreendo, pois existe muita borracha a ligar a carrinha ao chão e os pneus (Potenza RE050A) não são os mais silenciosos… mas os ruídos aerodinâmicos sentidos em dias com muito pouco vento (diria inexistente, mas tudo bem) acima dos 140km/h deixaram-me mesmo espantado pela negativa.

Além disso, o próprio barulho vindo da zona da mala (as carrinhas são menos isoladas por razões óbvias) devia estar mais bem isolado num carro deste segmento. Já andei num sedan (E250CDI) no passado, e embora não tenha sido um teste tão “à vontade” e tão longo, não fiquei com esta noção geral sobre o seu isolamento do exterior.

Mais info aqui!

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