BMW 420d Cabrio: prazer contido

Nota: Teste realizado pelos nossos parceiros da The Car Lounge

Este BMW 420d Cabrio com o seu tecto rígido retráctil é detentor de uma silhueta verdadeiramente cativante, é no entanto quando se dá início a um bailado de motores eléctricos e se abre a capota, que este BMW se torna num dos descapotáveis mais bonitos do mercado!

A cor branca enfatiza-lhe as formas curvilíneas, cuidadosamente estudadas em túnel de vento, acentuando-lhe uma imagem dinâmica e desportiva, para o que muito contribuem umas (opcionais) lindíssimas jantes de 19 polegadas. A destoar deste dinamismo, está um ganho de peso superior a 200kg quando comparado com o coupé, levando este cabrio para níveis mais próximos dos 1.800kg.

Ainda assim, os méritos do binómio motor/caixa conseguem disfarçar na perfeição o peso extra na balança e os 184cv do 2.0 diesel ainda atiram este 420d para perto dos 230km/h. A caixa automática de 8 relações permite explorar na perfeição os 380Nm de binário e ficamos com a certeza de que estamos sempre na mudança certa!

Já que falamos na caixa, gostei particularmente da função ‘Coasting’ disponível quando circulamos no modo ‘EcoPro’ (há mais 3: Confort, Sport e Sport+) e que se destina a minimizar o já reduzido apetite por gasóleo. Como funciona? Muito fácil! Não é nada mais, nada menos do que ‘desengatar’ o carro quando se rola em plano direito ou declives suaves. O seu funcionamento é muito discreto (mais do que o start&stop que me pareceu um bocadinho lento) e precisamos de estar atentos ao conta rotações para perceber quando, pela queda abrupta das rotações, estamos a rolar… ‘À vela’! Logo que tocamos nos pedais ou descrevemos uma curva mais apertada, o sistema selecciona rapidamente a mudança adequada.

A unidade que tive hipótese de conduzir, vinha generosamente recheada com mais de €18.000 em extras, sendo o equipamento de série nesta versão ‘sport’ tão generoso…. como o preço! €72.500…

Bancos eléctricos desportivos em pele aquecidos, enriquecidos com um aquecedor de pescoço para os dias mais solarengos de inverno, cruise control com função de travagem, faróis bi-xénon, hi-fi, sistema de navegação ‘Professional’ com ‘ConnectedDrive’, faziam parte da lista de mimos ao nosso dispor para milhares de quilómetros de ‘cabriolismo’.

O isolamento acústico é de tal ordem bem conseguido que, com a capota aberta, vidros subidos e corta-vento em posição, é possível circular a velocidades bem para lá dos limites legais e ainda assim manter um tom de conversa absolutamente normal, sem quaisquer perturbações ou ventanias ‘parasitas’.

Não será demais referir que o conforto de rolamento é francamente bom, apesar da presença das já referidas jantes de 19 polegadas, mantendo-se a BMW como uma marca fiel ao rigor e qualidade de montagem, com uma escolha de materiais que prima pela excelência.

Se números como 8.2s dos 0-100 ou quase 230km/h de velocidade máxima poderão sugerir um postura mais desportiva, tal não é o caso. E rapidamente ficamos com essa percepção ao final de alguns quilómetros, deixando este 420d cabrio transparecer as suas aptidões mais como um ‘cruiser’ confortável e económico, ideal para longas viagens a céu aberto.

Obviamente, os genes BMW estão presentes e, tratando-se de um tracção traseira, não será muito difícil realizar algumas ‘figuras de estilo’, uma vez desligadas as ‘ajudas’ eletrónicas. De todas as formas, sou-vos sincero… é como se falasse connosco e nos dissesse: ‘Vá, eu sou capaz, mas essas coisas são mais com o meu irmão 435i ou com o M4 que está para vir!’

De todas as formas, não se trata de um cabrio ‘bonacheirão’ que não gosta de andamentos vivos, bem pelo contrário! Pela solidez, conforto e isolamento, rapidamente conseguimos deslocar-nos mais depressa do que os limites de velocidade recomendados, sempre com uma enorme sensação de segurança e facilidade de condução.

Deixo o pior para o fim…. a mala! Se com a capota fechada temos uma capacidade muito próxima dos 400 litros, o caso muda radicalmente de figura quando abrimos a capota, limitando de sobremaneira uma viagem a céu aberto por essa Europa fora! Malefícios de um complexo sistema de capota rígida, que mesmo contando com um engenhoso sistema que permite sobre-elevar todo o conjunto (uma vez recolhido) para facilitar cargas e descargas, não é suficiente para fazer com que a mala possa albergar bagagem para 2 ocupantes para mais do que um fim de semana! Apesar disso, conta com um banco traseiro rebatível e é possível levar uns skis, snowboard ou até mesmo um kite…. desde que se mande as malas pelo correio!

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